aumento da expectativa de vida

A Tecnologia e o Aumento da Expectativa de Vida

O aumento da expectativa de vida pode ser algo influenciado pela tecnologia? Certamente sim, é o que vem provado as pesquisas na área. Tratamento celular, transfusão de plasma e criogenia são algumas das evoluções que vêm sendo impulsionadas em pesquisas para burlar a morte – ou ao menos – aumentar a expectativa de vida dos seres humanos. 

Você sabia que a primeira pessoa que irá completar 1000 anos já nasceu? Parece surreal pensar que isso é possível no momento atual que vivemos, mas com os avanços tecnológicos essa hipótese está cada vez mais próxima da realidade. 

Essa frase foi declarada pelo cientista inglês Aubrey de Grey. Esse é um dos nomes à frente das pesquisas atuais que buscam aumentar o tempo de vida dos seres humanos. 

Com base em pesquisas realizadas na empresa Agex Therapeutics,  ele procura buscar evidências que comprovam que o envelhecimento humano é “curável”, uma vez que ele acredita que o problema do envelhecimento é físico e não biológico. 

Atualmente a pessoa mais idosa do mundo em vida é a japonesa Kane Tanaka, com 116 anos, nascida em 1903. A pessoa mais idosa já registrada pelo Guinness foi Jeanne Louise Calment, francesa que viveu até os 122 anos. O limite de vida humana, segundo pesquisa divulgada pela Nature em 2016, é de 125 anos. 

Calico investe em P&D de Biotecologia

A Calico é uma companhia independente de biotecnologia criada em 2013 pela Google. O seu objetivo declarado é o combate ao envelhecimento e às doenças associadas, além do aumento da expectativa de vida. A nova companhia é liderada pelo CEO Arthur Levinson, atual presidente da Apple e da Genentech.

A empresa tem a missão de aproveitar tecnologias avançadas para aumentar o entendimento da biologia que controla a vida. Procura usar esse conhecimento para planejar intervenções que permitam que as pessoas levem uma vida mais longa e saudável. 

A Calico vêm concebendo intervenções que promovam mais qualidade de vida. Existem alguns experimentos que são focados nas células e outros promovem estudos com sangue, inclusive é fato conhecido que milhões de norte-americanos vêm se submetendo a transfusões com alto custo de plasma jovem para evitar doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer. 

Projetos financeiros para aumentar a vida

Esse assunto vem sendo amplamente discutido e já converteu em um grande negócio. Segundo o Bank of America, esse mercado tem movimentado US$ 110 bilhões em todo o mundo, incluindo áreas de cosméticos, terapias e remédios. A previsão é que até 2025 movimente US$ 610 bilhões. 

Algumas das maiores empresas de tecnologia estão investindo nessas inovações. Larry Ellison, CEO da Oracle, doava cerca de US$ 45 milhões todo ano por mais de 10 anos para combater o envelhecimento. O co-fundador do Paypal, Peter Thiel, doou US$ 6 milhões à Sens Foundation, que realiza pesquisas para aumento da expectativa de vida.

O co-fundador do Google, Sergey Brin, doou US$ 50 milhões para pesquisar doenças da terceira idade, incluindo Parkinson, supostamente depois que soube que estava em risco de desenvolver a doença.

A Alphabet investiu mais de US$ 730 milhões na Calico, com o único objetivo de estender a expectativa de vida humana.

E está funcionando, aqui estão algumas das mais recentes inovações:

  • As terapias gênicas demonstraram ser capazes de dobrar a expectativa de vida em camundongos, eliminando dois genes que podem estar conectados ao envelhecimento.
  • Outros cientistas estão procurando algumas “tecnologias de rejuvenescimento” que irá permitir que as pessoas se sintam mais jovens por mais tempo; alguns estão estudando a remoção de toxinas do corpo que acreditam contribuir para os problemas do envelhecimento.
  • Os cientistas também estão aprendendo a desenvolver peças de reposição para substituir aquelas que se desgastam. Membros robóticos, órgãos e tecidos impressos em 3D estão sendo desenvolvidos e até órgãos robóticos, como um pâncreas artificial que administra automaticamente medicamentos para controlar o diabetes.
  • Melhorias no diagnóstico e tratamento podem potencialmente gerar o aumento da expectativa de vida individual, incluindo pequenos sensores que podem detectar ataques cardíacos antes que eles ocorram, planos de diagnóstico e tratamento assistidos por IA, medicamentos e tratamentos personalizados para doenças complexas como o câncer.

Por que as pessoas envelhecem?

O processo natural de envelhecimento do corpo humano é chamado de senescência celular e acontece quando as células se multiplicam e começam a se degradar pelo corpo. Depois de passarem por esse processo inúmeras vezes, elas começam a apresentar problemas.

Um estudo publicado pelo The Hallmarks of Ageing em 2013 identifica que boa parte do processo de desgaste corporal acontece nas células. Para entender melhor isso, veja os processos internos que acontecem quando o corpo começa a envelhecer:

  • Encurtamento dos telômeros
  • Erros na expressão dos genes
  • Proteínas menos funcionais
  • Células que não morrem
  • Produção de energia falha
  • Comunicação ineficiente entre células
  • Metabolismo desbalanceado
  • Exaustão de células-tronco

Dados demográficos e previsões

Globalmente, a população de 65 anos ou mais está crescendo mais rápido do que todas as outras faixas etárias. Hoje, 1 a cada 11 pessoas viverá até os 65 anos ou mais. Em 2050, a previsão é que 1 a cada 6 pessoas viverá até os 65 anos ou mais. 

Para se ter uma ideia hoje, 143 mil pessoas têm 80 anos. Em 2050 essa população será de 426 mil. Em 2018, pela primeira vez na história, as pessoas com 65 ou mais ultrapassaram o número de crianças com menos de 5 anos.

A expectativa de vida vêm crescendo cada vez mais nas últimas décadas. Em 2017, a expectativa do brasileiro era até os 76 anos, conforme dados do IBGE. 

Isso é muito quando comparado a 1940, que a expectativa era até os 45,5 anos. Vemos que essa expectativa estava equivocada, uma vez que existem pessoas que nasceram nessa época que ainda estão vivas com seus 79 anos e, infelizmente, não têm a assistência necessária, uma vez que o país não previu e se preparou para isso. 

3 tecnologias para prolongar a vida humana

Transfusões de ‘sangue jovem’

Acredite ou não, existem empresas realizando pesquisas sobre os efeitos da transfusão de sangue de pessoas jovens e saudáveis ​​(especificamente aquelas entre 16 e 25 anos) em pessoas mais idosas.

Há rumores de que o co-fundador bilionário do PayPal, Peter Thiel, tem interesse nesse processo, especificamente relacionado a uma empresa iniciante chamada Ambrosia. Parece que os investimentos variam de 6.000 a 215.000 libras esterlinas e, embora os testes com ratos tenham mostrado que o sangue mais jovem revigora os indivíduos mais velhos, os testes em humanos tiveram menos sucesso.

Criogenia

Trata-se do congelamento em baixa temperatura de um corpo humano, com a esperança da ressuscitação no futuro. Atualmente, o procedimento custa em média US$ 80.000 para congelar a cabeça e US$ 200.000 para congelar o corpo todo.

Não são apenas os seres humanos que podem se beneficiar do processo de congelamento. O Cryonics Institute, por exemplo, oferece uma gama de opções para animais de estimação: 4.000 libras para gatos ou cães e até 760 libras para um pássaro de estimação. 

No entanto, apesar das enormes quantias de dinheiro investidas nessa área, a comunidade de pesquisadores em geral ainda considera isso uma pseudo-ciência. No entanto, existem várias empresas que oferecem o serviço, como a Alcor Life Extension Foundation, o Cryonics Institute, a Suspended Animation Inc. e o KrioRus.

Aqui no Brasil, a criogenia só é utilizada para preservar células-tronco do cordão umbilical e dos dentes de leite de crianças, com o objetivo de tratar doenças como anemia e leucemia. As células são mantidas a -196°C e são preservadas por tempo indeterminado.

Consciência digital

O próximo passo na consciência humana pode envolver o upload do cérebro humano para a nuvem, permitindo o aumento da expectativa de vida ou até mesmo a imortalidade. Essa é uma iniciativa da empresa de pesquisa Nectome, apoiada pelo MIT. 

Embora isso pareça algo muito remoto vindo de um filme de ficção científica, realmente vem sendo investido algum dinheiro nesse projeto, com cerca de 1 milhão de libras em financiamento e uma subvenção federal de 900.000 libras do Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA

Contradições ao aumento da expectativa de vida

Um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, divulgado em 2014 revela que 88,3% dos médicos preferem não serem submetidos a procedimentos de ressuscitação ou qualquer um relacionado ao prolongamento da vida, pois sabem dos fardos e riscos associados, que são maiores do que os benefícios. 

É uma área ainda que deve avançar muito em face de todos os avanços na área da saúde, assim como já aconteceu com a saúde 4.0, o IoT e outros debates e tendências atuais, mas que deve gerar muita polêmica, uma vez que certamente nem todos terão acesso a esses avanços, tornando-se uma questão social. 

Obviamente, o aumento da expectativa de vida média também tem outras implicações. Sugerir que pessoas que vivem com 100 – ou mesmo 200 – abandonem a força de trabalho aos 60 ou 70 anos parecerá absurdo. Se nossa expectativa de vida aumentar, mas nossa qualidade de fim de vida não acompanhar o ritmo, o mundo precisará de mais recursos para prestar atendimento a idosos por mais tempo.

Além disso, se a expectativa de vida aumentar consideravelmente como se acredita, os governos talvez necessitem implementar políticas de controle populacional (como a China fez) para garantir recursos suficientes para uma população em crescimento. Seguro, assistência médica e outras questões serão afetadas, à longo prazo.

A boa e a má notícia é que, embora seja provável que as melhorias continuem, as mudanças serão certamente incrementais e demoradas. O tratamento do câncer é um bom exemplo: na década de 1970, as chances de sobreviver a qualquer câncer por mais de cinco anos eram muito pequenas. Hoje, as taxas de sobrevivência de muitos tipos de câncer aumentaram muito, apesar de ainda não existir uma “cura” universal.

Portanto, embora seja improvável que exista uma “pílula mágica” que possamos tomar para reverter o envelhecimento ou viver para sempre, é extremamente provável que as tecnologias inovadoras de hoje estejam no caminho de nos ajudar a viver vidas mais longas, saudáveis ​​e produtivas.

Leia também esses artigos relacionados à tecnologia e saúde:

Fontes: https://tab.uol.com.br/edicao/futuro-da-morte#a-morte-mora-ao-ladohttps://www.forbes.com/sites/bernardmarr/2017/03/31/will-these-tech-innovations-help-us-live-forever/#9e3f2d54d0c5
https://www.forbes.com/sites/leebelltech/2019/06/30/5-ways-tech-could-keep-us-living-longer-health-innovations-the-rich-are-investing-in/#84c025234eb0

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